Desigualdade social e desigualdade educativa: o papel da escola. Uma perspectiva histórico-cultural

Alexandre Avelino Giffoni Junior

Resumo


O artigo estuda a questão da desigualdade social e desigualdade educativa, na perspectiva da Abor- dagem Histórico-Cultural. Mostra as relações entre elas e a ineficácia das Políticas públicas para a Edu- cação, no Brasil, ligada aos problemas decorrentes da pobreza de larga faixa da população. Defende que as funções da escola devem focar os aspectos pedagógicos e didáticos, para além do acolhimento social, assumindo um papel inverso daquele que o Estado brasileiro tem atribuído às instituições edu- cacionais, desobrigando-se e transferindo-lhes fun- ções que deveriam estar mais ligadas ao Ministério do Desenvolvimento Social e à Assistência Social. A Instituição escolar, deve ocupar-se dos processos educativos, no campo da Educação, para possibili- tar o desenvolvimento humano com a apropriação de conceitos do conhecimento científico/escolar/ acadêmico pelas pessoas, que contribuam para o desenvolvimento dos conceitos cotidianos. Que es- tes, por sua vez, possibilitem o desenvolvimento e apropriação dos conceitos científicos, promovendo a melhoria da qualidade de vida individual e social, com autonomia das pessoas em suas atividades, no contexto das práticas institucionais, consideran- do as tradições sociais. São propostas alternativas Pedagógicas e Didáticas com a Abordagem His- tórico-Cultural, para a solução desses problemas, com o duplo movimento do ensino, que considera as raízes locais do conhecimento das pessoas para a sua real emancipação, em um processo de ensi- no e aprendizagem que possibilite mudanças qua- litativas nas personalidades das pessoas, em suas atividades e nas práticas institucionais e sociais. As alternativas apresentadas ligam-se, em especial, às pesquisas de J. C. Libâneo, M. Hedegaard e S. Chaiklin, a partir do ensino desenvolvimental de V. V. Davidov, com origens nos trabalhos de L. S. Vi- gotski e diversos pesquisadores. 


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